Colocação da Voz 1 – O Som e o Conhecimento das Cavidades de Ressonância

Olá!

 

Esse post é o primeiro de uma série que trata sobre a colocação da voz, um dos pontos importantes para se obter o domínio da voz .

 

Quando estamos cantando podemos sentir nossa voz de muitas maneiras mas, basicamente existem apenas duas sensações que são resultantes: a primeira é a sensação de conforto, facilidade e prazer. A segunda é justamente a oposta: dificuldades de controle do som, aperto, tensão e até dor. Mas, qual é a real diferença física que ocorre quando essas duas maneiras tão distintas de emitir a voz acontecem?

O Som

 

Em termos técnicos, o som é uma onda mecânica que se propaga em elementos que tem massa e elasticidade (elementos sólidos, líquidos e gasosos). Para mais informações visite o site http://www.sofisica.com.br

O som também tem a tem uma característica de se propagar com mais facilidade em alguns materiais do que outros. Por exemplo, se cantarmos em frente a um material poroso, como uma esponja e depois  em frente a um material sólido, como uma parede de azulejos por exemplo, iremos escutar muito mais nossa voz quando direcionada para a parede de azulejos.

 

baneiroxestudio

Isso acontece quando as ondas sonoras que viajam pelo ar encontram esses dois diferentes materiais. Quando o som encontra a espuma é absorvido deixando o ambiente mais “seco”. Essa é justamente a função pela qual as espumas estão na parede do estúdio. Elas favorecem a criação de um ambiente sem a presença de ecos permitindo que o microfone capte apenas as ondas produzidas pela voz ou instrumentos. Sem o eco, o som pode ser mais fiel e assim mais fácil de manipulá-lo no processo de gravação.

De outra maneira, quando o som encontra um material sólido, como uma parede de azulejos, ele reflete e viaja para outras direções. O ambiente fica com mais eco e o som produzido é amplificado. (Por isso temos sensação de ter um vozeirão no nosso banheiro em casa!!!)

Mas calma! Não quero inibir você de cantar no seu banheiro. Afinal, só chegaremos a um domínio vocal com muita prática, certo? Não importa aonde!

Iniciei esse post com essa comparação entre materiais para explicar que uma situação semelhante ocorre dentro da nossa cabeça quando usamos ou não as cavidades de ressonância da voz. Por isso podemos sentir a nossa voz sair ora fácil, ora mais difícil.

Cavidades de Ressonância?

Em uma explicação bem simples, podemos dizer que nossa cabeça é formada basicamente de dois tipos de materiais: um esponjoso e outro sólido. A carne e as cartilagens assumem aqui o papéis de materiais esponjosos e os ossos o papel do material sólido.

Quando produzimos um som com a voz as vibrações viajam por todo a nossa cabeça mas, podem ser direcionadas para lugares determinados. Se direcionadas para o fundo da garganta, por exemplo, temos a sensação sonora de uma voz “entubada” escura e sem brilho (semelhante a sensação de cantar dentro do estúdio com espumas). Isso acontece devido ao encontro do som com as paredes da garganta (foto) onde existe ali muita carne e cartilagem e músculos como palato mole, língua, parede da garganta, etc…. O resultado físico, quando a ressonância da voz ali é direcionada, é de um voz difícil de ser controlada e com uma extensão comprometida. Muitas vezes esse desconforto físico vem acompanhado de dor e a sensação de “arranhar” a garganta podendo levar a rouquidão rapidamente. Em resumo o som produzido pelas pelas pregas vocais fica sem uma projeção apropriada e as vibrações não tem facilidade de sair de dentro de nós.

O ponto central aqui é de entendermos que cantar é uma atividade que deve ser associada ao prazer e bem estar e não a dor e sofrimento. Existe uma maneira correta e prazerosa de usarmos nossa voz (não importa o estilo).

Essa maneira correta necessita que estejamos atentos não somente ao que sentimos, mas também ao que escutamos pois, muitas vezes, não podemos discernir entre a qualidade do som por nós mesmos. Quando o som emitido pelas pregas vocais se propagam pela nossa cabeça ele pode ser “abafado” por elementos esponjosos mas, também amplificado pelos ósseos permitindo que som possa “ecoar” e ser projetado para fora do nosso corpo sem causar desconforto ou dor. O lugar “mágico” são as cavidades superiores da face entre os olhos e o nariz (seio frontal) e dentro da cabeça logo acima da parte superior do nariz acima do nariz (seio esfenoidal). Observe no desenho abaixo as cavidades descritas

cavidades-de-ressonancia

projecao-vocal

Pontos importantes!

1- Se observarmos bem, o nariz é uma grande cavidade que ajuda tanto na colocação da voz como na criação do timbre, mas não deve ser usado como o único foco da projeção vocal. Se assim for feito, resultado é a voz nasal com extensões limitadas e timbre estridente. Aprendi um ditado muito interessante com meus professores ao longo dos meus anos de estudo que é esse: Se canta com o nariz, mas não pelo nariz!

2- Quando estamos gripados ou com sinusite a sensação de termos uma voz fanha, entubada ou com timbre nasal pode acontecer mesmo quando já desenvolvemos domínio sobre a colocação da voz. Isso acontece pelo acúmulo de secreções no seio frontal e nariz, além de inflamações na garganta que podem deixar a nossa prega vocal com excesso de muco. Apesar de desconfortável. essa é a oportunidade de se perceber o quanto que essas cavidades são importantes para a produção vocal.

No próximo post (Colocação da Voz 2 – Ressonâncias e Sensações) irei detalhar ainda mais as sensações obtidas quando fazemos o uso desses ressoadores. Quem nunca ouviu falar em “voz de peito” e “voz de cabeça“? Tentarei explicar da forma mais clara e objetiva esse processo tão importante para quem quer cantar corretamente.

Até lá!

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